O Hospital Vaz Monteiro (HVM) reafirma sua posição de vanguarda na medicina do interior de Minas Gerais ao realizar, de forma bem-sucedida, procedimentos cardiológicos terapêuticos de extrema complexidade. Contando com uma equipe especializada em cardiologia clínica e intervencionista, além de infraestrutura tecnológica de ponta, a instituição atrai pacientes de diversas regiões do estado e do país em busca de diagnósticos e tratamentos avançados.
Desde 2009, o serviço de hemodinâmica do HVM já soma cerca de 16.500 procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Além da rotina de cateterismos, angioplastias (com implantes de stents em artérias coronárias, cerebrais, aorta e membros inferiores) e implantes de dispositivos como marcapassos, CDIs e ressincronizadores, dois casos recentes ganharam destaque pela alta exigência técnica e pelos excelentes desfechos clínicos.
Fechamento percutâneo de Forame Oval em paciente com Púrpura Trombocitopênica
Um dos destaques foi o fechamento de Forame Oval realizado sob sedação leve — dispensando a necessidade de anestesia geral. O Foramen Oval Patente (FOP) consiste em uma abertura que permite o fluxo anormal de sangue entre os lados direito e esquerdo do coração, elevando o risco de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) por embolia cardiogênica.


A complexidade deste caso residia no fato de a paciente, totalmente ativa, ser portadora de Púrpura Trombocitopênica, uma condição crônica que reduz as plaquetas e compromete a coagulação. O Dr. Marcos Cherem explica a escolha da abordagem: “Essa patologia impedia o uso de medicamentos antiagregantes ou anticoagulantes tradicionais para prevenir um AVC, pois o risco de sangramentos graves seria inaceitável. A opção pelo fechamento percutâneo foi a mais assertiva: de forma minimamente invasiva, sem abertura do tórax e utilizando apenas duas punções venosas, eliminamos a origem do problema de modo seguro.”

A condução clínica foi estruturada pelo Dr. Marcos Cherem, e a intervenção foi executada pelos cardiologistas intervencionistas Dr. Carlos Eduardo Bernini e Dr. Dirceu Dias Barbosa Sobrinho, com suporte do anestesiologista Dr. Victor Bahia. O procedimento permitiu que a paciente ficasse em recuperação por apenas quatro horas, recebendo alta no mesmo dia.

Cirurgia de preservação valvar e técnica de recuperação de sangue (Cell Saver)
Outro procedimento de alta complexidade envolveu uma paciente de 66 anos que viajou de São Paulo para Lavras em busca do corpo clínico do Hospital Vaz Monteiro. Diagnosticada com Prolapso da Valva Mitral (PVM) em estágio de degeneração avançada, além de quadro de insuficiência cardíaca provocada pelo refluxo sanguíneo grave da valva mitral.

Embora a recomendação inicial em outros centros fosse a substituição da estrutura por uma prótese artificial, a equipe cirúrgica do HVM — coordenada pelo cirurgião cardiovascular Dr. Cláudio Léo Gelape, sob a orientação do Dr. Antônio Alceu dos Santos — optou pela plastia mitral, uma técnica refinada que reconstrói a própria válvula do paciente, preservando a anatomia original do coração.
O desafio técnico foi ampliado pelo fato de a paciente ser Testemunha de Jeová, o que exigia a realização do procedimento sem qualquer transfusão de sangue alogênico (de terceiros), direito assegurado pela jurisprudência nacional. O Dr. Antônio Alceu detalha a estratégia de ponta adotada: “A cirurgia cardíaca sem transfusão de sangue homólogo (doado) é uma realidade consolidada em nossa instituição. Aplicamos um protocolo baseado em grandes evidências científicas para otimizar (por meio de medicações específicas) os níveis hematológicos da paciente no pré-operatório, além do uso do Cell Saver no intra-operatório. Esse equipamento de última geração recupera e processa o sangue autólogo perdido durante o ato operatório, permitindo que ele seja reinfundido continuamente na própria paciente, minimizando perdas.”

A paciente apresentou excelente evolução pós-operatória, permanecendo 48 horas em cuidados intensivos antes de ser transferida para o quarto, recebendo alta para retornar a São Paulo plenamente recuperada.
Disponibilidade e a busca pelo credenciamento pleno ao SUS
O serviço de cardiologia do Hospital Vaz Monteiro atua de forma contínua, atendendo tanto a procedimentos programados quanto a urgências e emergências onde o fator tempo é decisivo para salvar vidas. “Funcionamos praticamente todos os dias do ano, o que amplia significativamente o suporte à comunidade local e regional nos momentos mais críticos”, ressalta o Dr. Dirceu Dias.
Mesmo consolidado como um polo de excelência, o hospital mantém o pleito junto às autoridades de saúde para obter o credenciamento pleno de sua alta complexidade cardiológica pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Dr. Marcos Cherem pontua o cenário atual: “Embora realizemos centenas de atendimentos ao longo dos anos por meio de pactuações pontuais com prefeituras da região e de programas federais como o ‘Mais Especialistas’, o credenciamento integral e definitivo ainda não foi concedido. Continuamos investindo na nossa estrutura, qualificando nossos processos e solicitando essa habilitação para estender este padrão de medicina de ponta a toda a população de forma contínua.”
