Hospital Vaz Monteiro amplia oferta de tratamentos especializados e consolida atuação regional em Cardiologia e Oncologia

Por HVM Notícias 24 de ago. 26

Em Lavras, instituição filantrópica reúne serviços que permitem tratar doenças cardiovasculares e câncer sem que pacientes da região precisem recorrer aos grandes centros

Durante décadas, pacientes da região de Lavras que precisavam de determinados tratamentos cardiovasculares ou oncológicos eram encaminhados para hospitais de Belo Horizonte, São Paulo e outros grandes centros. Esse cenário começou a mudar pois o Hospital Vaz Monteiro ampliou sua capacidade de diagnóstico e tratamento e passou a concentrar, em sua estrutura, serviços que antes exigiam deslocamento para outras cidades.

A mudança é particularmente visível na Cardiologia. O serviço de Hemodinâmica, em funcionamento contínuo desde 2009, já realizou cerca de 16,5 mil procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Entre eles estão cateterismos, angioplastias coronarianas com implante de stents, intervenções vasculares, implantes de marcapasso e outros dispositivos cardíacos.

Nos últimos anos, o hospital passou a realizar também intervenções menos frequentes no interior do Estado, incluindo procedimentos percutâneos para doenças valvares, tratamento de arritmias e intervenções em aneurismas. Em 2023, por exemplo, realizou o primeiro procedimento de modulação cardíaca do Estado de Minas Gerais e o primeiro implante de MitraClip do Sul de Minas e em 2025 implantou, com sucesso, marcapasso bicameral em um paciente de 106 anos, que recebeu alta em 24 horas e retomou suas atividades cotidianas.

TAVI — troca valvar aórtica percutânea.
Implante de cardiomodulador.

Para o cardiologista Marcos Cherem, coordenador do serviço, a diferença está na possibilidade de oferecer várias alternativas terapêuticas dentro da mesma instituição: “Em geral, em cidades médias como Lavras, os hospitais oferecem alguns serviços especializados, mas não tão diversos. No Vaz Monteiro, temos condições de diagnosticar e tratar diferentes casos, tanto em crianças quanto em adultos e idosos, envolvendo coronárias, vasos periféricos, doenças neurovasculares, cardiopatias congênitas, válvulas e arritmias.”

A estrutura inclui Hemodinâmica, Cirurgia Cardíaca, Eletrofisiologia, Diagnóstico por Imagem, Centro Cirúrgico e Unidades De Terapia Intensiva para Adultos, Crianças e Neonatos. O hospital informa manter 105 leitos, dos quais cerca de 67 destinados ao SUS, sete salas cirúrgicas, Pronto Atendimento para Adultos, Ambulatório Ortopédico, além de complexo diagnóstico formado pela Ecomed e Hemocell.

O mesmo hospital para diferentes pacientes

A expansão dos serviços não ficou restrita aos pacientes particulares e usuários de planos de saúde. No final de 2024, o Vaz Monteiro passou a realizar procedimentos cardiovasculares para pacientes do SUS por meio de inclusão da instituição no programa Agora Tem Especialistas, ampliando a oferta de tratamentos para moradores da microrregião de Lavras.

Desde o início dessa nova etapa, em 2025, foram realizados mais de 150 procedimentos cardiológicos pelo SUS, entre cirurgias de revascularização, angioplastias coronarianas, tratamento percutâneo de aneurismas de aorta abdominal, estudos eletrofisiológicos e ablações para tratamento de arritmias.

Ablação de arritmia cardíaca com mapeamento eletroanatômico.
Implante de CDI Ressincronizador

A medida tem um efeito que vai além da redução das filas. Pacientes que antes precisavam ser encaminhados para outros municípios podem realizar o tratamento em Lavras, permanecendo próximos de suas famílias.

“Como nossa microrregião não dispõe de atendimento em Cardiologia de Alta Complexidade pelo SUS, o credenciamento do Hospital Vaz Monteiro ao Programa Agora Tem Especialistas permitiu que pessoas que aguardavam há meses — e, em alguns casos, há anos — pudessem realizar seus diagnósticos e tratamentos aqui mesmo, em Lavras”, afirma Jaqueline Fráguas, supervisora administrativa do hospital.

Para Marcos Cherem, a importância do programa está também em ampliar o acesso à estrutura que já atende os demais públicos: “O credenciamento do Vaz Monteiro ao programa permitiu que a mesma tecnologia, estrutura e expertise que oferecemos no atendimento cardiológico fossem colocadas à disposição dos pacientes do SUS. Esse sempre foi um objetivo da instituição.”

O hemodinamicista Dirceu Dias Barbosa Sobrinho resume a importância dessa mudança sob a perspectiva assistencial: “É uma grande satisfação poder contribuir para que os pacientes do SUS da nossa região tenham acesso à resolução de doenças coronarianas com a melhor qualidade assistencial e a tecnologia mais avançada disponível. Esse trabalho aproxima o tratamento de quem mais precisa.”

Oncologia ganha espaço no mesmo complexo

A estratégia de ampliar o atendimento especializado também alcançou a Oncologia. A presença da Oncolavras no complexo do Hospital Vaz Monteiro permite integrar o tratamento do câncer à estrutura hospitalar, incluindo suporte clínico, internação e procedimentos cirúrgicos quando necessários.

Oncolavras – estrutura integrada ao complexo do Hospital Vaz Monteiro.

O modelo reduz a fragmentação do cuidado, especialmente para pacientes que apresentam intercorrências durante o tratamento ou precisam de outras especialidades médicas.

Para Rodrigo Maganha, coordenador da Oncolavras, a integração permite acompanhar o paciente em diferentes etapas do tratamento: “A fusão de competências entre a Oncolavras e o suporte hospitalar do Vaz Monteiro propicia um tratamento oncológico integral, ágil e altamente especializado. O paciente encontra aqui desde o diagnóstico preciso e o tratamento quimioterápico até o suporte para intercorrências e cirurgias oncológicas.”

A combinação entre Oncologia e estrutura hospitalar é relevante sobretudo em uma região em que a distância ainda representa uma barreira para o tratamento. Em muitos casos, cada deslocamento significa horas de viagem para o paciente e para seus familiares.

Investimento contínuo

A expansão dos serviços veio acompanhada de investimentos em equipamentos e infraestrutura. A Hemodinâmica, por exemplo, foi modernizada com a instalação de um novo equipamento, permitindo ampliar a capacidade de procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Entre 2024 e 2026, o setor realizou cerca de 2.000 procedimentos diagnósticos e terapêuticos de elevada complexidade.

Para um hospital filantrópico, porém, ampliar a oferta de serviços implica encontrar um equilíbrio entre investimento, sustentabilidade financeira e atendimento público: “O hospital filantrópico tem no SUS uma parte essencial de sua missão. Hospitais como o Vaz Monteiro são uma das principais ferramentas disponíveis para atendimento e internação de usuários do sistema público”, afirma Marcos Cherem.

Um polo fora dos grandes centros

A trajetória do Vaz Monteiro revela uma mudança na geografia da medicina especializada em Minas Gerais. Procedimentos que durante muito tempo estiveram concentrados nas capitais começam a ser realizados também em cidades médias, desde que exista uma combinação de profissionais qualificados, equipamentos, retaguarda hospitalar e volume suficiente de casos.

Em Lavras, esse processo ganhou escala na Cardiologia e avança também na Oncologia.

O resultado é uma estrutura capaz de atender pacientes particulares, usuários de planos de saúde e pessoas encaminhadas pelo SUS, sem que a origem do paciente determine o acesso aos recursos disponíveis.

A aposta do Hospital Vaz Monteiro é continuar ampliando essa capacidade. Para a região, o efeito mais concreto é a possibilidade de receber perto de casa tratamentos que, até pouco tempo atrás, exigiam uma viagem para um grande centro. É uma mudança que não se mede apenas pelo número de procedimentos realizados, mas pela distância que deixou de ser percorrida por quem precisa de tratamento.


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